sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Hiato... ainda....


Embora eu esteja ensaiando para postar um novo texto, meu coração continua procurando nos que sabem mais que eu....
Eis Adélia.... uma das companheiras na hora do hiato!

Amor feinho

Eu quero um amor feinho. Amor feinho não olha um pro outro. Uma vez encontrado é igual fé, não teologa mais. Duro de forte o amor feinho é magro,doido por sexo e filhos tem os quantos haja. Tudo que não fala ,faz. Planta beijo de três cores ao redor da casa e saudade roxa e branca, da comum e da dobrada. Amor feinho não tem ilusào, o que ele tem é esperança: eu quero amor feinho.



Um tempo de poesia que cala e faz chorar! Eis meu tempo!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Eu sei...


Depois de um longo e tenebroso inverno, volto a postar.
Meu coração canta num ritmo há muito esquecido por mim; canta como se tivesse, novamente, 15 anos. Canta alto, baixinho... canta chorando, sorrindo. Eita, coração doido, bobo, apaixonado! Rendido!
Estou deixando-o cantar.

"Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos me encaminham pra você

Assim como o oceano Só é belo com luar Assim como a canção Só tem razão se se cantar Assim como uma nuvem Só acontece se chover Assim como o poeta Só é grande se sofrer Assim como viver Sem ter amor não é viver Não há você sem mim E eu não existo sem você"
Composição maravilhosa de dois dos grandes poetas de minha vida: Tom e Vinicius. Música: Eu não existo sem você

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Meu Sempre!!!!

As pessoas que das quais tornei-me prisioneira, sem ter-me, no entanto, tornado aprisionada!

Gratidão a esses amores!!!
Fragmentos que me salvam a todo encontro!!!


domingo, 6 de setembro de 2009

Sem contar... Sem cálculos... é só doar!

Tenho sentido, a cada dia, a proximidade com o Senhor.
Mas tenho sentido os meus amores daqui... aqueles escolhidos e dados por Deus.
Quanta alegria em poder estar perto deles, estar com eles... senti-los, abraçá-los. Não tê-los para mim, mas em mim!
Sou grata, Amado meu, por tão preciosos tesouros!
Sei onde está o meu coração, pois sei onde se encontram meus tesouros!

"Ah, Coração, se apronta pra recomeçar"



Um vídeo para quem está apaixonado.
Um vídeo que fiz questão de mencionar.. por encontrar-me assim.
Que mesmo com medo dessa paixão, eu me permiti sentir... e vou deixar o tempo curar o que machuca o meu coração por dor antiga. Quero olhar o novo.

"Para tu amor no hay despedidas
Para tu amor yo solo tengo eternidad
Y para tu amor que me ilumina
Tengo una luna, un arco iris y un clavel
Para tu amor lo tengo todo
Lo tengo todo y lo que no tengo también"
E tenho também um coração que dá amor morrendo, e morre a cada dia, sem saber que morre, mas sente que gasta.
Uma paixão assim faz sentido por ser constituída de uma escolha, pautada no que Deus entende de amor.
E Deus entende de Amor.
Que o Santíssimo Pai me ajude a viver esse tempo na serenidade, na decisão certa, no discernimento.
Que a Santíssima Virgem Maria, Castíssima, Puríssima me guarde no colo no qual descansou Jesus, meu Amor.
Viva o Amor!!!!
Com carinho (um tikim de medo), e orações
Dedé
Paz e Bem!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Ainda a decisão...



Hoje, durante o Sacrifício da Santa Missa, fui levada ao céu da vocação!
Um carinho de Deus em mim, que mesmo diante de minha indecisão, tem-me amado; que a despeito de meu medo, tem-me consolado e caminhado comigo!
Toda a Liturgia falava de vocação, hoje!
E ouvi uma música que há muito não fazia parte de meu repertório! :)
Além das canções, a homilia e todo o clima estavam dispostos a rasgar santa e piedosamente o meu coração!
E houve!
Meu pobre coração careceu, naquele momento em que o céu tocava a terra, de cuidados especiais (supunha eu); contudo, ele só devia dar resposta.
"Ele quer uma resposta, cada dia, de você, irmão"
A resposta, mesmo estando para explodir no coração, trava na boca.
E ainda assim, espera-me o Amado!
Os grãos que formam a espiga
Os grãos que formam a espiga
se unem pra serem pão;
os homens que são igreja,
se unem pela oblação.
Diante do altar, Senhor,
entendo minha vocação:
devo sacrificar a vida por meu irmão.
O grão caído na terra só vive se vai morrer.
É dando que se recebe; morrendo se vai viver.
O vinho e o pão ofertamos, são nossa resposta de amor.
Pedimos humildemente: "Aceita-nos ó Senhor!"


Deixo essas músicas postadas...
E meu coração naquele Altar!


A Barca


Tu, te abeiraste da praia
Não buscaste nem sábios nem ricos
somente queres que eu te siga!
Senhor, tu me olhaste nos olhos,
a sorrir, pronunciastes meu Nome,
Lá na praia, eu larguei o meu barco,
junto a Ti buscarei outro mar...
Tu sabes bem que em meu barco
Eu não tenho nem ouro nem espadas
somente redes e o meu trabalho
Tu, minhas mãos solicitas,
meu cansaço que a outros descanse,
amor que almeja seguir amando.
Tu, pescador de outros lagos,
ânsia eterna de almas que esperam,
bondoso amigo que assim me chamas.


Que Deus me conceda a coragem de largar o barco!!!



terça-feira, 25 de agosto de 2009

Se ouvires a voz do vento...

Terminando o mês vocacional, e ainda assim, o nosso coração se inquieta com o que teima em não vir!
Espero em Deus por uma resposta; contudo, temo que a resposta esteja em mim. A parte de Deus já foi dita, e meu "Sim", que precisa ser diário, ainda é um "sim" para o que tem.
Deixo com vocês um vídeo que vi na Canção Nova.
Ele me ajudou bastante, embora tenha aumentado minha inquietude!
Meu Deus!!! Quantos sinais ainda vou pular?????

"A decisão é tua"

Could be!

Who knows?
Who knows?

"Duas pessoas podem sentar, uma de frente para a outra, sem se conhecerem.
Duas pessoas podem estar longe, mas nada mais no mundo as separa"

Uma frase pra completar meu dia!

Meu Pai, Padre Rô, diz que a saudade é uma pessoa! Minhas saudades têm nome!!!!

Amo vocês!!!!

If you need me...

Ao deparar-me com a verdade escondida e ao mesmo tempo explícita dessa canção, pensei em todas as pessoas que estão nela, e que fazem parte de mim!
É exatamente o que eu gostaria de dizer a cada uma delas...
Então, minha saudade, minha homenagem às pessoas, que em um ou mais versos dessa canção, são presenças!
Dinda, Vó, Zé, Pai, Mãe, Guina, Dé, Digo, Nano, Maria, Neguinho, Pri, Pirolla, Cé, Sergio (Ir. Gaspar), Sidney, Ir. Antonio, Rô (Meu carioca favorito), Grazi Pegorelli, Dé Abib, Cris Amorim...
Mi, Bina, Fabu (meu amor - Lov u, Fabu... sempre), Dé Fidelis, Marcelo, Marcelinho, Má Shalom, Nenén, Nani, Alê (meu filho do coração), Ev.. Deus... alcança...
Meu Deus... eu não deveria dizer nomes... mas meu coração os chama sem cessar!!!

Amo vocês!!
If you need me...call me!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
No matter how far, don't worry!!!!!!

If you need me call me
No matter where you are,
No matter how far, don't worry baby
Just call out my name
I'll be there in a hurry
You don't need to worry
'Cause baby there
Ain't no mountain high enough
Ain't no valley low enough
Ain't no river wide enough
To keep me from getting to you, baby
Remember the day I set you free
I told you could always count on me, darling
From that day on I made a vow
I'll be there when you want me
Someway, somehow
No wind, no rain
Or winter's cold
Can't stop me baby. Oooo baby
'Cause you are my goal
If you're ever in trouble
I'll be there on the double
Just sing for me, baby
Send for me ooo baby
My love is alive
Way down in my heart
Although we are miles apart
If you ever need a helping hand
I'll be there on the double
Just as fast as I can

Ain't no mountain high enough -


Bem, infelizmente essa pessoa inteligentíssima que vos escreve, não conseguiu postar um vídeo com essa música... O Grande Marvin!!!! Sorry!

domingo, 23 de agosto de 2009

"Em minha dor, salva-me, Senhor"


Nessa curta postagem coloco todo o meu coração miserável; todo o meu coração que busca, diante dos fatos de hoje, confiar! Há momentos em que as dores tomam conta de nosso viver, de modo que tudo o que queremos, bem mais que o alívio imediato, é o abraço dizendo que "vai passar". Mesmo que demore séculos, se demorar enquanto eu sou abrigada nesse abraço... a dor é acompanhada! Ainda sou muito imatura para compreender o que Deus quer com tudo isso; ainda sou muito infantil para ver com clareza como tanta dor vai me ajudar a fincar os pés no chão do Reino Eterno! Meu coração quer chorar no colo do meu Deus! Quer encontrar o consolo nos braços DESSE que é o Amor que eu procuro! Sei que há motivo para tudo o que aconteceu; sei. Hoje, quero cantar o Salmo que o Senhor me inspira! Quero ser a Canção que Ele só sabe cantar! Nesta canção do Missionário Shalom, coloco todo o meu sentir; não uma linha sequer em que não apareça meu desejo de hoje! Amo-te, Senhor meu! Meu Deus, Meu Tudo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sua Déia


Quero viver sem nada temer,
Entregue ao amor poder crescer.

Quero voltar a Deus meu olhar,

Seguir ao seu encontro.
Vem Espírito Santo!

Vem em minha história,
revelar tua glória

Quero ver o amor vencer.

Vem Espírito Santo,
sopra em mim teu canto!

Vem jorrar, me saciar.

É na tua vontade o meu lugar.

Em minha dor, salva-me, senhor!
Faz-me ir além, torna-me alguém!

Pois nada eu sou sem tua mão, senhor.

És minha paz e segurança, meu sentido e esperança

Vem ser meu tudo, visitar meu nada
Eis-me aqui! eu creio em ti!

Vem dar-me coragem pra viver sem medo

Acreditar e confiar

Sim, serei capaz de um novo canto entoar!
(Sopra em mim teu canto - Missionário Shalom /CD Estrangeiro Aqui)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Carece de cuidado



Nesta noite meu coração parece não caber em mim... de tanto sentir! De tantos "sentires", como diz um rapaz carioca muito santo que Deus colocou na minha vida.
Há uma infinidade de sentimentos em mim: medo, dúvida, certeza, coragem, esperança, amor, paixão, sonho, semente.
E então, enquanto canto.. eu sonho e oro!
Oro a Deus para que eu permaneça firme; para que eu, mesmo no medo, e não sem ele, continue a caminhar!
As lágrimas hoje acompanharam-me sem timidez; foram minhas companheiras.
Hoje Deus deu-me algo que eu já esperava, mas que não pensei que fosse doer tanto. Hoje eu senti mais um pouquinho de dor.
E então, ao rezar com a música da Celina, mais uma vez compreendi a verdade: "perder para ganhar".
A dor ainda me consome; ainda me queima! Mas quando o que me era caro e seguro foi tolhido, percebi que havia ali o plano de Deus!
Que todas as seguranças me sejam tiradas, desde que meu Senhor permaneça intacto em meu coração; desde que eu permaneça no Coração do Amado!
Foi nessa confusão de sentidos que procurei a música que deixo com vocês, ao final dessa postagem.
Foi buscando entender tudo o que sinto, buscando compreender o porquê de tanto sentimento; amar... querer cuidar, e mesmo sem receber o que se dá, continuar amando!
Perdoem-me a confusão semântica, mas o meu coração pula de maneira assustadora aqui dentro, e precisa se acalmar!
Senhor... Amo-te!
Sintam-se amados, meus irmãos e filhos!!!


Eu estou orando por você
Eu estou pedindo por você
O Espírito Santo vai me atender
Eu posso sentir a sua dor
Creia, eu vou orar com muito amor
Sabendo que Deus vai me ouvir
Amar é conduzir o outro ao céu
Orar é partilhar da mesma dor
Em gestos, criar o bem no outro
Eu te ligarei ao céu vou te carregar na sua dor
Eu vou trazer o céu com meu louvor
Orar é amar, orar é pedir,
orar é sentir a mesma dor
Orar é sofrer, orar é querer,
orar é viver só no louvor
Amar é cuidar, amar é doar,
amar é perder para ganhar
Eu vou trazer o céu até você
(Celina Borges - Orar é Amar CD Ânima)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Procuradoria mantém símbolos religiosos em repartições públicas

Amados irmãos,

A seguir, uma reportagem do Portal Canção Nova, a respeito da Ação para retirada de símbolos religiosos das repartições públicas de São Paulo.
As pessoas que solicitaram essa ação alegaram a laicidade do Estado. No entanto, ferir a nossa fé, ou até mesmo tentar suprimi-la por meio da ocultação dos mesmos é extremamente radical e preconceituosa.

Deixo-vos com a reportagem. Embora tenha sido levantada a questão, e movida a Ação, o juiz decidou o contrário.
No site da Canção Nova há mais detalhes.


Crucifixos e símbolos religiosos serão mantidos nas repartições públicas federais do estado de São Paulo. A defesa à permanência dos símbolos, foi apresentada à Justiça, pela procuradoria Regional da União da 3.ª Região (PRU3).

Na defesa, a PRU3 mencionou precedente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e contra-argumentou que os símbolos já pertencem à cultura e à tradição brasileira. Sustentou, ainda, que a exposição desses crucifixos e objetos em prédios públicos não torna o Brasil um Estado clerical, devendo ser respeitada a religiosidade dos indivíduos.

O Juízo da 7.ª Vara Federal acolheu os argumentos e indeferiu a liminar, mantendo as imagens nas repartições públicas. De acordo com a decisão, a laicidade do Estado "não se pode expressar na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos". O Juízo observou, ainda, que "em um país que teve a formação histórico-cultural cristã é natural a presença de símbolos religiosos em espaços públicos, sem qualquer ofensa à liberdade de crença".

O Ministério Público Federal, em São Paulo, havia entrado no início do mês com um pedido na Justiça para a retirada de todos os símbolos religiosos em locais de atendimento ao público, nas repartições públicas federais no Estado.

http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=273637

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Veni, Sponsa Christi, accipe coronam, quam tibi Dominus præparavit in æternum"
















"Ó, Alma que é como o cavaleiro Que luta o dia inteiro guardando o castelo do Rei A minh'alma se encanta e se apaixona por este Rei, Livre suspira por Ele, mergulha-se n’Ele, se entrega com ardor Mistério profundo de amor Nada poderá destruir esse dom Presente de Deus que é meu Bem, que é tão Bom Canta minh’alma esponsal ao Senhor Tão íntimo dom, sacrário de amor Canta inflamada por quem te quis Canta minh’alma esponsal, minh’alma feliz Canta minh’alma esponsal Minh’alma feliz" (Alma Esponsal - Celina Borges)

Todo o meu coração se volta para a realidade da Alma Esponsal!
O Senhor me tem cativado, e tenho-me descoberto enamorada pelo Amado! Sonho com o Senhor, o Grande Rei, e tenho ornado minha vida para que este Rei se encante comigo! A Primeira grande Esposa, a Virgem Maria, me ensine o silêncio! E nessas novas olhadas sobre Santa Clara, meu coração encontre o Amor que tanto procura; tal amor só pode vir do céu! Somente o Amado me ama com tanto Amor! "Eu, Andréia, filha amada do Amado, entrego-me a esse amor; peço, contudo, a força necessária para caminhar.. e Deus sabe o que me segura". Então, "Se as seguranças me tiram de Ti, deixa-me apenas com Teu olhar, e a Tua mão a me sustentar". O texto abaixo é um comentário a respeito de uma série transmitida na TV Italiana a respeito de meus Santos patronos: Clara, Irmã de toda irmã e Francisco, Irmão de todo irmão!

É comum falar da amizade entre Clara e Francisco em termos de amor humano. Em seu conhecido ensaio sobre apaixonar-se e amar, Francisco Alberoni escreve que “a relação entre Santa Clara e São Francisco tem todas as características de um enamoramento transferido (ou sublimado) à divindade”. “Francisco e Clara”, de Fabrizio Costa, a série televisiva transmitida pela Rai Uno, melhor talvez que “Irmão Sol e Irmã Lua”, de Zeffirelli, soube evitar esta alusão ao romântico, sem tirar nada da beleza também humana de um encontro assim. Como qualquer homem, ainda que seja santo, Francisco pode ter experimentado a atração pela mulher e o sexo. As fontes referem que para vencer uma tentação deste tipo, uma vez, o santo se jogou em pleno inverno na neve. Mas não se tratava de Clara! Quando entre um homem e uma mulher há união em Deus, se é autêntica, exclui toda atração de tipo erótico, sem que exista sequer luta. É como refugiar-se. É outro tipo de relação. Entre Clara e Francisco havia certamente um fortíssimo vínculo também humano, mas de tipo paterno e filial, não esponsal. Francisco chamava Clara de sua “plantinha”, e Clara chamava Francisco de “nosso pai”.

O entendimento extraordinariamente profundo entre Francisco e Clara que caracteriza a epopéia franciscana não vem “da carne e do sangue”. Não é, por exemplo, igualmente célebre, como aquele entre Heloísa e Abelardo. Se assim tivesse sido, teria deixado talvez uma marca na literatura, mas não na história da santidade. Com uma conhecida expressão de Goethe, poderíamos chamar a de Francisco e Clara uma “afinidade eletiva”, com a condição de entender “eletiva” não só no sentido de pessoas que se elegeram reciprocamente, mas no sentido de pessoas que realizaram a mesma eleição.

Antoine de Saint-Exupéry escreveu que “Amar não quer dizer olhar um ao outro, mas olhar juntos na mesma direção“. Clara e Francisco na verdade não passaram a vida olhando um ao outro, estando bem juntos.

Trocaram pouquíssimas palavras, quase só as referidas nas fontes. Havia uma estupenda discrição entre eles, tanta que o santo, às vezes, era amavelmente reprovado por seus irmãos por ser demasiado duro com Clara.

Só ao final da vida vemos atenuar este rigor nas relações e Francisco buscar cada vez com maior freqüência consolo e confirmação junto a sua “Plantinha”. É em São Damião onde se refugia próximo à morte, devorado por enfermidades, e está perto dela quando entoa o canto de Irmão Sol e Irmã Lua, com aquele elogio de “Irmã Água, útil e humilde e preciosa e casta”, que parece ter escrito pensando em Clara.

Em lugar de olhar um ao outro, Clara e Francisco olharam na mesma direção. E se sabe qual foi para eles esta “direção”. Clara e Francisco eram como olhos que olham sempre na mesma direção. Dois olhares que contemplam o objeto de ângulos diversos dão profundidade, relevância ao objeto, permitem “envolvê-lo” com o olhar. Assim foi para Clara e Francisco. Contemplaram o mesmo Deus, o mesmo Senhor Jesus, o mesmo Crucificado, a mesma Eucaristia, mas de “ângulos” diferentes, com dons e sensibilidade próprios: os masculinos e os femininos. Juntos perceberam mais do que teriam podido fazer dois Franciscos e duas Claras.

Se existe uma lacuna na série sobre Francisco e Clara é talvez a insuficiente relevância prestada à oração, e com ela à dimensão sobrenatural de suas vidas. Uma lacuna provavelmente inevitável quando a vida dos santos se leva à tela. A oração é silêncio, quietude, solidão, enquanto que a palavra “cinema” vem do grego kinema, que significa movimento! A exceção é o filme “O grande silêncio” sobre a vida dos cartuchos, mas não resistiria na pequena tela.

No passado se tendia a apresentar a personalidade de Clara demasiado subordinada à de Francisco, precisamente como a “irmã Lua” que vive do reflexo da luz do “irmão Sol”. O exemplo neste sentido é o livro publicado no verão passado sobre “A amizade entre Francisco e Clara” (John M. Sweeney, the Friendship of Francis and Clare of Assisi, Paraclete Press 2007).

Tanto mais é de elogiar, na série televisiva, a eleição de apresentar Francisco e Clara como duas vidas paralelas, que se entrecruzam e se desenvolvem em sincronia, com igual espaço dado a um e outro. É a primeira vez que ocorre desta forma. Isso responde à sensibilidade atual orientada a evidenciar a importância da presença feminina na história, mas em nosso caso corresponde à realidade e não é algo forçado.

A cena que mais me impactou ao ver a pré-estréia de “Francisco e Clara” é a inicial, emblemática, uma espécie de chave de leitura de toda a história. Francisco caminha em um prado, Clara o segue introduzindo seus pés, quase brincando, nas pegadas que Francisco deixa, e, diante da pergunta dele: “Estás seguindo minhas pegadas?”, responde luminosa: “Não, outras muito mais profundas”.

www.zenit.org


Amados, Pedindo suas orações: PAZ E BEM!

sábado, 15 de agosto de 2009

Velatam ad Dei Gloriam - Velada para a Glória de Deus


A Igreja, sábia, ensina-nos a Adorar o Senhor!
Permeada de belezas inenarráveis é a Esposa do Cordeiro!
E eu, tendo visto crescer em meu coração e em minha vida, a necessidade de honrar a Cristo de todos os modos que me forem possíveis, entendo também crescer em mim o desejo de tornar externo o que meu coração guarda e sente.
O uso do véu é uma norma que não é mais obrigatória no novo Código de Direito Canônico. Mas não há restrição em relação ao uso.
Pelo contrário, sabe-se que na Igreja do Oriente, essa sublime tradição da Igreja Primitiva permanece intacta.
Aqui no Ocidente, e depois do Concílio Vaticano II, algumas reformulações foram feitas, e parte das tradições foram esquecidas.
Com medo de estar fazendo algo incomum, algo que estranho ou fora do tempo, recorri a algumas fontes sobre o uso desse sacramental, repleto de beleza.
Em algumas Igrejas do Nordeste, e nas Igrejas de Anápolis (GO), perto da Casa Sacramento da Toca de Assis, todas as mulheres (inclusive as crianças) usam véu.
Aqui em São Paulo, para as Missas do Rito Extraordinário, as mulheres usam o véu.
Então, percebo que a tradição da qual venho falando não é distante, ou mesmo somente tradição.
Ontem, ao conversar com uma amiga, a Ana Carla, de São José dos Campos, falei-lhe desse desejo que tenho de respeitar o Senhor; do ímpeto de, sem o véu, mesmo com uma touca, cobrir minha cabeça num ato de adoração, reverência e humilhação diante do Senhor Amado.
Ela consolou-me: "Déia, isso é fruto da intimidade com o Senhor!"
Posso dizer que é! Que não sou íntima do Mestre como gostaria de ser, mas eu sou! Eu busco ser!
Tenho vivido num momento de busca da intimidade com meu Deus!
Quero estar com Ele todos os dias, de todas as maneiras. Falar dele, com Ele, para Ele..
É algo que jamais havia experimentado, e meu coração se alegra com essa novidade!
Ainda sofro por essa escolha, mas sei que a Coroa vem do Amado!
Voltando ao véu, achei um texto que exprime exatamente o que penso e sinto.
Para quem quiser conhecer a Liturgia em comunhão com a Santa Igreja, sempre, esse blog é um ótimo meio: http://velatam.blogspot.com

"O véu nas mulheres é a lembrança permanente dentro da Igreja daquilo que não vemos, que é mistério, está perto mas está encoberto por um véu".

Paz e Bem!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Oculto sob o véu do pão!



Evangelho de São João, capítulo 6 - versículos 52-58.


Quarto dia de oração e reflexão.

Fui à Santa Missa nos dias de terça e quarta-feira. Hoje, consegui Adorar. Não pude participar do Santo Sacrifício.
Mas adorei!

O Rei. O Deus Imenso. O Sumo Bem. O Verbo Encarnado! O Deus de minh'alma!

Durante todos esses dias, contemplei os mistérios do Cristo; os escondidos, mesmo. Aqueles cujo entendimento não virá neste vale de lágrimas!
Durante esse período de reflexão, de busca de uma maior intimidade com o Senhor, meu coração tem tocado o que é intangível!
Tenho percebido o desejo impetuoso, mas ao mesmo tempo regado de serenidade, em estar diante do Senhor!
No Sacramento de Amor, entregar minha vida!
Quantas vezes não tenho-me visto a abrir os braços, e chorar, e cantar os louvores aos Santíssimo Sacramento! :)
No discurso do Pão da Vida, hoje meditado, o Senhor fala de vida! Ele é alimento!
Os meus amados freis da Toca de Assis dizem: "Do teu sacrifício no altar Tu vens de Ti mesmo, me alimentar, como poderei, ó Deus, não dar-te o meu coração?"
É a minha pergunta! Como, Senhor?
Tenho notado as novidades que Jesus tem-me trazido; as alegrias, as novas responsabilidades! Sou grata ao meu Deus! Ao meu Amor, meu Bem da Cruz, por tão grande carinho e cuidado!
Gratidão, Bom Pastor!
Alimentar-me de tão Sublime e Ardente Alimento tem-me feito desejar ser o que Cristo quer.
Quero ser para Deus o que Ele quer que eu seja!
E nesse desejo, quero que as pessoas que participam do meu apostolado sejam alcançadas pelo Pastor!
Eu tenho muitas coisas a escrever; entretanto, preciso saboreá-las antes!
Entendo que há algo místico de muito bom a acontecer, e meu coração quer estar pronto!
Preciso do Senhor! Hoje, mais nada traz-me o encantamento, a não ser o meu Bem da Cruz, o meu Sumo Bem!
Ainda falta tanto a percorrer; ainda preciso tanto melhorar...
Mas enquanto caminho, vou-me alimentando do Pão que desceu do céu!

Perdão, Senhor, por todas as vezes nas quais tratei-te como pão, como vinho!

"Santíssimo Corpo, Deus Sacramento, faça-se em mim o teu querer!"

Com Deus, meus amores!
Perdoem-me a postagem quase infantil, um jeito quase que ingênuo de falar do Senhor!
Mas meu coração sublima diante Deste Deus! Oculto sob o véu do pão!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Fiat Voluntas Tua

Imagem tirada do site http://pt-br.wordpress.com/tag/pare-de-chorar-e-dance/


Êxodo 3,1 / Lc 1,68-79



Duas situações curiosas... A mesma ação de Deus a partir de uma decisão pessoal.

Moisés, tirado das águas, colocado no lugar diferente. Projetado por sonhos humanos, viu-se, na alegria da juventude, plantado nos projetos Javistas.
A despeito de sua própria incredulidade, faz.
O povo, outrora escravo, é livre.
Zacarias, sacerdote, um levita. Tem a dúvida. Fora escolhido como o foi Moisés; desprezou o chamado.
Mas, na espera silenciosa, a voz de Deus é sua companheira.
Não acreditio que somente no dia de dar o nome a João, Zacarias tenha entendido o que Deus queria. Acredito, antes, num amadurecimento gradativo a partir daquele encontro.
Mesmo que o primeiro diálogo tenha sido curto e grosso, houve comunhão nos dias que se seguiram.
Só assim, a oração de Ação de Graças de Zacarias teria sido tão eficaz!
Mas diante dessas duas decisões, fico a pensar na minha: O que decidi de tão importante até hoje?
O que minha decisão já fez?
Fico imaginando os caminhos percorridos por Moisés... a incerteza, o medo!
Imagino o espanto de Zacarias; imagino a tensão!
Embora os dois tenham tido medo, os dois tomaram uma decisão! E seguiram!
E os resultados! Oh, que alegria em ver os resultados!
O Senhor fala de um mundo novo, de um rumo a seguir!
Quero pedir, assim como pediu Santo Agostinho: Senhor, dá-me somente a tua graça para que eu faça o que me pedes"
Que o meu coração esteja sempre disposto a decidir!
Tenho tantas outras coisas para dizer aqui....
Mas quero deixar Deus agir....

Paz e Bem, amados!

Santa Noite!

Andréia, eu amo o que tu amas!




Antes de postar os dois textos dos últimos dias do Retiro, tenho de colocar esse, que não é meu, mas que foi essencial no meu dia!
Quem o escreveu foi a grande formadora da Comunidade Shalom, Maria Emmir. Degustemos o que, hoje, em minh'alma, foi inteiro verdade!

Ainda nos anos 80, Frei Felipe ensinou aos noviços uma música tradicional italiana que, a cada ano que passa, toma um novo e mais profundo sentido para nós, ensinando-nos muito sobre a beleza da amizade, dos afetos, e da benevolência do Deus que se fez homem como nós:

Chorando, Francisco, disse um dia a Jesus:
“Amo o sol e as estrelas, amo Clara e as irmãs,
amo o coração do homem, amo todas as coisas belas.
Oh, meu Senhor, me deves perdoar, pois só a Ti eu deveria amar...”
Sorrindo, o Senhor, respondeu-lhe assim:

“Amo o sol e as estrelas, amo Clara e as irmãs,

amo o coração do homem, amo todas as coisas belas.

Oh, meu Francisco, não deves mais chorar,

porque eu amo aquilo que tu amas...”


Em português a rima certamente não fica lá essas coisas, mas a mensagem ultrapassa em muito esta pobreza poética. Francisco chora porque, além de amar a Deus, ama a natureza – o sol e as estrelas. Culpa-se porque, além de amar a Deus, ama as pessoas - Santa Clara e suas irmãs. Penitencia-se por ser apaixonado pelo homem em sua beleza interior. Acusa-se por amar o que é belo. Aos prantos, pede perdão a Deus pois está convencido que só a Ele deveria amar. Julga-se impuro, ingrato, pecador, por amar outras coisas além de amar a Deus.
O sorriso com o qual lhe responde o Senhor contrasta com o pranto do Pobrezinho de Assis. É fácil imaginar seu rosto surpreso quando ouve o Senhor responder-lhe, sorrindo, que também Ele, o Senhor do Universo, o Deus Altíssimo e Todo Poderoso, também Ele, o Onipontente, o Deus Único, também Ele ama a natureza que criou; ama Clara e as irmãs, que elegeu; ama o coração do homem, que habita. Também Ele, a Beleza Suprema, a Suprema Verdade, ama todas as coisas belas. Há, entretanto, uma razão muito especial para o Senhor amar todas essas coisas e pessoas. Uma razão acima do fato de serem suas criaturas, seus filhos, sua habitação: é que essas coisas, além de amáveis pelo que são, são amadas por Francisco, Seu amado poverello. Porque Francisco ama o Senhor, ama todas as coisas boas e belas, pois tudo o que é bom e belo vem de Deus e o reflete. Porque o Senhor ama Francisco, ama tudo o que ele ama, pois amando o que o Senhor criou, ele O ama acima de todo o criado. Há em tudo isso uma ternura difícil de expressar. Francisco, em sua inocência, crê pecar por amar aquilo que reflete o amor de Deus, mas que não é Deus. Por isso chora. O Senhor, em sua benevolência, recebe o amor inocente de Francisco e o corrige, explicando que também Ele, o Senhor, ama o que é bom e o que é belo. Deixa entrever que beleza e verdade se supõem. Com seu sorriso, consola o pranto de Francisco. Ensina-lhe, assim, algo tão singelo que por vezes escapa às nossas complicações altivas: o maior mandamento não é amar somente a Deus e não ter afeto por nada ou ninguém; o maior mandamento é amar a Deus, amar o que é bom e belo e, exatamente por isso, amar a Deus acima de todas as coisa boas, belas, verdadeiras e amáveis. Reconhecer que Ele, que é Amor, é o autor de tudo o que é amável e que amar o que O reflete é uma forma terna, atenta e delicada de amá-lO em tudo e em todos. Em linguagem poética, Francisco é lembrado de que o maior mandamento é amar a Deus acima de todas as coisas que se ama e não excluindo ou não amando as coisas e as pessoas. Dá o que pensar, essa poesia italiana... Lembra São João: “quem diz que ama a Deus, mas não ama seu irmão...” Bem, você sabe: é mentiroso. Jesus não permitiu que Francisco caísse nessa “mentira”, nessa espiritualidade falsa que deixa de fora os afetos, condenando-os ao invés de utilizá-los para a glória de Deus, tudo ordenando segundo o amor. Sem afetos, o homem não é humano e só o homem ‘humano’, segundo a estatura de Cristo, com seu corpo, intelecto, afetos, espírito, é, verdadeiramente, espiritual. Dá o que pensar, também, o modo maravilhoso como Deus se compromete com Francisco. O modo como Ele curva-se sobre seu eleito e lhe é fiel. O modo como Ele, que é o Deus Altíssimo do Poverello, não despreza seus afetos, mas une-se a eles e, assim fá-los belos, eleva-os e reafirma a capacidade de amar e de contemplar com que criou a ele e a cada um de nós. Ordena, com sua ternura, os afetos de Francisco segundo a ordem do amor: “Também eu, meu Francisco, amo essas coisas. Sou um contigo. Amo o que tu amas, pois tu me amas acima de tudo o que amas”. Frei Felipe está, agora, no céu. Deve estar sorrindo, com seus olhos verdes – agora não mais míopes – cantarolando para cada um de nós, ternamente: O mio figliolo, non dovi pianger più, perchè Dio ama quel chi ami tu... Deus lhe pague, Frei Felipe. Você talvez não tenha tido o saber das academias, mas deixou-nos a sabedoria de quem acolhe, humildemente, a própria humanidade e oggi, non piange più. Auguri!

Maria Emmir

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Perene




Amados irmãos,

Segundo dia de oração.


Passemos à Leitura de hoje: São João 19,17-37.

Tomaram, pois, a Jesus; e ele, carregando a sua própria cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. E Pilatos escreveu também um título, e o colocou sobre a cruz; e nele estava escrito: JESUS O NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. Muitos dos judeus, pois, leram este título; porque o lugar onde Jesus foi crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, latim e grego. Diziam então a Pilatos os principais sacerdotes dos judeus: Não escrevas: O rei dos judeus; mas que ele disse: Sou rei dos judeus. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi. Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram delas quatro partes, para cada soldado uma parte. Tomaram também a túnica; ora a túnica não tinha costura, sendo toda tecida de alto a baixo. Pelo que disseram uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será (para que se cumprisse a escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, e lançaram sortes). E, de fato, os soldados assim fizeram. Estavam em pé, junto à cruz de Jesus, sua mãe, e a irmã de sua mãe, e Maria, mulher de Clôpas, e Maria Madalena. Ora, Jesus, vendo ali sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Então disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Depois, sabendo Jesus que todas as coisas já estavam consumadas, para que se cumprisse a Escritura, disse: Tenho sede. Estava ali um vaso cheio de vinagre. Puseram, pois, numa cana de hissopo uma esponja ensopada de vinagre, e lha chegaram à boca. Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. Ora, os judeus, como era a preparação, e para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, pois era grande aquele dia de sábado, rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados dali. Foram então os soldados e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado; mas vindo a Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. E é quem viu isso que dá testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que diz a verdade, para que também vós creiais. Porque isto aconteceu para que se cumprisse a escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado. Também há outra escritura que diz: Olharão para aquele que traspassaram.

Encontro-me com a Virgem aos pés da Cruz; vejo toda a cena da Redenção, e meu viver toma uma proporção maior do que imaginava.
Andar NESTE Calvário causa-me dor, entretanto, traz-me o Mestre.

Comecei o dia na incerteza; um sentimento de dor, de dúvida assombrava-me o coração.
Pedi a proteção de São Miguel Arcanjo e da Santíssima Virgem para iniciar o dia.
Percebo que minha alma está triste; embora esteja a cada dia mais perto do Amado, ela se entristece. Uma tristeza que leva ao céu; uma tristeza serena.
As terças e sextas-feiras têm a tendência de serem mais dolorosas, de fato, uma vez que recordamos, e precisamos experimentar a dor do Senhor!
O Santo Terço, na contemplação dolorosa, levou-me ao Calvário do meu dia.
Mas tive os anjos dos jardins, as Verônicas (pelo menos aqui elas existiram) da estrada; meu caminho da Cruz foi trilhado num dia cheio de percalços, que tentavam-me impedir de endireitar os ombros para carregar o Fiel Madeiro.
A caminhada pelos trilhos do Mestre machuca os pés, desanima o corpo, traz medo ao coração.
Todo o dia de hoje foi trilhado sobre essas verdades: as feridas que são penetradas e as cicatrizes que são reabertas.
Hoje quis parar. Hoje quis, mais que parar, retroceder!
Lembrei-me, então de Padre Zezinho e "Meu Cristo Inconstante".
Não tenho mais tempo para pedir o pouco; não há mais momento para sustentar o que passa!
Minha vida foi dada na Cruz!!!! Do Santo Madeiro me veio vida!
E é preciso decidir!
Lembro-me de uma música cantada pela Comunidade Canção Nova, tão antiga... e não sei dizer de quem é... mas a tenho nitidamente em mim, ainda posso ouvi-la na voz de Padre (hoje, Monsenhor) Jonas:

"Eu me decidi seguir Jesus/ (...)
A Cruz à minha frente e o mundo atrás
Não retornarei"

Eis minha decisão!

Hoje, tudo dói!
Tudo parece sem sentido... e diante do Senhor Eucarístico, oculto sob o véu do pão...
Meu Calvário torna-se parte de uma cadeia semântica vivificadora.
Minha Via Crucis é adornada de tamanha verdade, que a Cruz que, mesmo pesando, redime!
Preciso da Cruz!
Preciso, mais que dela, saber que ela não é, de modo algum, minha; no entanto, ao assumi-la, dou a parte que falta na Paixão do Amado: a minha!
A música de meditação hoje, "Gratidão", da Comunidade Católica Shalom nos ensina essa responsabilidade.

O que fazer senão amar-te, meu Senhor
Perdidamente, diante de tão grande amor
DEste-me a vida, uma vocação de paz
O amor que transpassa o teu peito
Rasga no meu peito a gratidão

Já não posso me conformar em ficar aos pés da cruz
Minha alma anseia unir-se a ti, Jesus
Já não posso me conformar em ficar aos pés da cruz
Quero ser pregado do outro lado Jesus

Um coração inflamado por teu imenso amor tudo faz por ti
Com tua graça eu posso prosseguir.


Não querer parar aos pés da Cruz, e num agir transformador, escalar o Madeiro e fazer companhia para o Crucificado não nos dá mérito; ao contrário, inflama a vida do Senhor.
É tão sublime este mistério, que nosso coração não pode alcançar...
Mas ao abraçar a Santa Cruz, o Coração do Senhor é novamente rasgado! O véu do templo é novamente aberto... o advérbio "novamente" perde o valor aqui, uma vez que o que se renova está no tempo, e o Sacrifício da Cruz não é cronometrado. Sangue e Água são continuamente derramados em favor de nós.
Abraçados ao Corpo Crucificado do Senhor, e tendo o nosso corpo na Cruz, a mística compreende nossa realidade, e o que era esperado dá lugar à Vida!
Agradeço por meus momentos de Adoração!
Gratidão pelas horas Santas, Senhor!
Gratidão por cada dor, por cada vontade de ir... e ainda assim, decidir ficar!
Ficastes por mim e em mim, ó Deus!
Dá-me tua graça para que eu faça o que me pedires!
Deus de minh'alma, meu Bem da Cruz!







segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A sós com o Amado




Amados meus,
darei início a algumas postagens de reflexão acerca de um Retiro Espiritual do qual estou participando a convite de uma pessoa muito especial, que entrou na minha vida e trouxe cheiro e gosto de céu, cujo nome vocês ainda verão neste blog. Vou deixá-los com as leituras bíblicas que norteiam as reflexões e nossas orações a cada dia.
Para o dia de hoje, após a oração do Santo Terço e a Proclamação do Ofício da Imaculada Conceição, fiz a Leitura Orante da Palavra de Deus, dadas as sugestões propostas no Retiro.

Evangelho de São João 8, 1-11.


Depois todos foram para casa, mas Jesus foi para o monte das Oliveiras. De madrugada ele voltou ao pátio do Templo, e o povo se reuniu em volta dele. Jesus estava sentado, ensinando a todos. Aí alguns mestres da Lei e fariseus levaram a Jesus uma mulher que tinha sido apanhada em adultério e a obrigaram a ficar de pé no meio de todos. Eles disseram:
- Mestre, esta mulher foi apanhada no ato de adultério. De acordo com a Lei que Moisés nos deu, as mulheres adúlteras devem ser mortas a pedradas. Mas o senhor, o que é que diz sobre isso?
Eles fizeram essa pergunta para conseguir uma prova contra Jesus, pois queriam acusá-lo. Mas ele se abaixou e começou a escrever no chão com o dedo. Como eles continuaram a fazer a mesma pergunta, Jesus endireitou o corpo e disse a eles:
- Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher!
Depois abaixou-se outra vez e continuou a escrever no chão. Quando ouviram isso, todos foram embora, um por um, começando pelos mais velhos. Ficaram só Jesus e a mulher, e ela continuou ali, de pé. Então Jesus endireitou o corpo e disse:
- Mulher, onde estão eles? Não ficou ninguém para condenar você?
- Ninguém, senhor! - respondeu ela.
Jesus disse:
- Pois eu também não condeno você. Vá e não peque mais!

O Senhor, enquanto todos foram para a casa, vai ao Monte das Oliveiras. Foi ficar com o Pai, num ato lindo de reencontro.
Interessante notar a questão do reencontro de Cristo com o Pai. Há sempre lugar e hora para isso; embora sejam um, estejam um no outro, o Amado sente a necessidade e sabe ser bom reencontrar-se com o Pai.

Quando leio o Evangelho, a minha reflexão gira em torno dessas curiosidades; de um Jesus que é Deus, e mesmo assim vai encontrar-se com Deus. É a beleza da busca da intimidade.
No texto, a primeira coisa à qual fui chamada à atenção, foi exatamente essa intimidade do Filho com o Pai. A cumplicidade de quem é um só. O Senhor qie vem preparado do Monte. Só alguém que internaliza a vontade de Deus pode agir como agiu o Amado. Veio pronto pela madrugada.
Uma outra realidade que me chama é o estado de Maria (alguns teólogos defendem que essa é a mesma Madalena, a mesma irmã de Lázaro). Os fariseus a classificam como um tipo que deve ser castigado de acordo com uma Lei; sobretudo, a coisificam, transformando-a, pura e simplesmente, no ato que a levou até ali. Ela deixa de ser mulher; é o que faz.
Olho a questão do pecado, aqui, na mesma dimensão em que olho a prova à qual queriam submeter o Mestre. Aos meus olhos, hoje, esse texto me fala de pretexto para estar só com o Amor!
Sei que para aquela Mulher, era a hora de receber o olhar do Amado. Encontrar-se com seu verdadeiro Dono.
E então, vejo o cerne desse Evangelho para o dia de hoje: alguém que precisa se encontrar com o Senhor.
Naquele dia, o pecado que era dela, não pesou sobre mais ninguém, porque o Senhor a olhou.
No olhar que cala, e dá palavras ao mesmo tempo, o Senhor a viu, endireitou-se para falar com ela. Devolveu-lhe a dignidade, que provavelmente, ela mesma vendera.
Diante dessa cena, e dessa verdade, aqui o perdão perde a vez para o olhar.
A mulher, que chegara arrasatada, com uma sentença já determinada, de cabeça baixa, olhos chorosos, e calada, é agora olhada, encarada por Aquele que ama. Um Deus que é pronto para olhar além do que nos pesa... Nesse olhar, Ele a conheceu, e ela a Ele. Num olhar se amaram, num olhar Ele a salvou!
E todas aquelas misérias que a tiravam Dele foram embora junto com os que a acusavam.
Olho para o Senhor e peço a graça de estar a sós com Ele.
Que Aquele olhar que alcançou Maria, venha olhar a mim; dar nova vida ao meu coração, reforçar o desejo de estar dentro do que Deus quer.
Por isso, peço que Deus encha-me Dele; que minha decisão seja alimentada, mesmo diante do sofrimento, mesmo diante das incertezas, mesmo diante dos que me acusam, ser levada com Ele, para todos os lugares.
Que eu vá para qualquer lugar no Olhar do Meu Amado!
Diante desse olhar, só posso entender que Deus Amou! Num olhar que Amou, o Senhor foi a Palavra que devolveu a vida!
Sou essa mulher!






quinta-feira, 6 de agosto de 2009

É... veja bem...

Uma canção-poesia-descrição para dar o tom da noite.
Gonzaguinha, um de meus poetas favoritos.


Grito de Alerta

Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
Me bota na boca
Um gosto amargo de fel...
Depois

Vem chorando desculpas
Assim meio pedindo
Querendo ganharUm bocado de mel...
Não vê que então eu me rasgo

Engasgo, engulo
Reflito e estendo a mão
E assim nossa vida
É um rio secando
As pedras cortando
E eu vou perguntando:Até quando?...
São tantas coisinhas miúdas

Roendo, comendo
Arrasando aos poucos
Com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo
De gritos e gestos
Num jogo de culpa
Que faz tanto mal...
Não quero a razão

Pois eu sei
O quanto estou errado
E o quanto já fiz destruir
Só sinto no ar o momento
Em que o copo está cheio
E que já não dá mais
Prá engolir...
Veja bem!

Nosso caso
É uma porta entreaberta
E eu busquei
A palavra mais certa
Vê se entende
O meu grito de alerta
Veja bem!
É o amor agitando o meu coração
Há um lado carente
Dizendo que sim
E essa vida da gente
Gritando que não

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A Menina de Deus




"Un jardín cercado es mi hermana, mi novia, huerto cerrado y manantial bien guardado." - Cantar 4, 12.
"Você roubou meu coração, minha irmã, noiva minha, você roubou meu coração com um só de seus olhares, uma volta dos colares". Can 4,9

Sou objeto do Senhor.
Numa sociedade tão marcada pelos "Direitos Humanos", pelas quebras de preconceitos, pelos supostos valores, soprar essa frase pode causar um hostil terremoto.
Entretanto, afirmar que sou objeto da vontade de Deus concede-me imensa liberdade e infinita certeza de que livre eu sou.
Sou o jardim de Deus. Fechado, que Ele mesmo cuidou, plantou, regou. E vai abrir no tempo em que Ele quiser.
Sou o brinquedo do Menino Deus que é usado quando e como Ele quiser.
Confesso que não é fácil; muitas vezes espero ser usada sempre e em toda situação, e meu Senhor tira-me de cena.
Mas diante de minha vida, e das situações que tenho vivido, venho aprendendo o céu.
E hoje, entendo o que sou. E quero.
Sou o jardim fechado do Pai. O Amado tem-me olhado com especial predileção, e ainda que eu não veja, que eu não sinta, meu coração sabe e se alegra nesta realidade.
No capítulo que inicia esta postagem, há uma profunda descrição da esposa, cujos atributos são regados de inocente sensualidade. Há no amigo um desejo de cuidado; um querer guardar, mas, ao mesmo tempo, ostentar a amada.
Acredito que Deus dá a direção que eu tenho pedido, a certeza de minh'alma. Esta alma, queridos irmãos, é esponsal!
Como quem busca o encontro com o Amado, o meu coração deseja encontrar o Bem!
O meu desejo por Deus é tamanho, que procura perder-se no infinito misericordioso!
Ao estar diante de tão grande amor, tão sublime mistério, o humano que há em mim, falece na Divindade Poderosa do Criador.
Tudo o que o meu coração canta, hoje, é reflexo dos mistérios do Senhor na minha existência.
Falta tanto, ainda, para que eu alcance os olhos de Deus; falta ainda tanto preparo... e quão supresa fico, quando percebo que Deus não se vale do tempo; Ele é o Tempo. Deus é Senhor. O Chronos e o Kairos são o próprio Deus.
Não se esconde, o meu Deus; não se vale de sua grandeza e vem ao meu encontro: pequena e miserável. Inclina seus ouvidos, e concede-me o colo. Acaricia-me, cuida de mim. Sara as feridas, dá vestes novas, e me chama: Jerusalém! Dá-me jóias, faz festa. Recebe-me de volta. O Jardim do Senhor agora é cidade bem edificada.
É pela fé que sei. É pela fé que dou o meu Sim.
Como numa bela música de Nicodemos Costa, cujas palavras têm-me ensinado durante esta semana:
" Sempre,no sim de cada dia
Em cada melodia,
Te amarei
Pra sempre,na luz do meio dia,
Na noite escura e fria,
Te amarei
Só sei que é para sempre,Senhor
E nada impedirá nosso amor
Pois é fiel,potente,confio plenamente
No teu grande e infinito amor
Ainda que imperfeito,Senhor
Teu braço me apoiando,eu vou
Sou teu eternamente,na dor e alegremente sou teu,meu Senhor
Sou teu eternamente,meu sim é para sempre
Só teu,meu Senhor"*

Para sempre - Nicodemos Costa (Com. Shalom)


Entendo que é no Sim de cada dia. Que é na decisão incorruptível de amar que alcançarei o céu!
É assim que serei a Cidade ladrilhada... ornada!
Paz e Bem a todos.
Orem por mim.
Tenho orado por vocês!
Perdoem-me a infantilidade de minhas linhas...










Meu bom amigo!


Conheci um Padre. Dentre os tantos padres com os quais convivi, conheci UM PADRE.
Celebrava o Santo Sacrifício com piedade; fazia visita aos doentes e aos sãos, também.
Esse Padre andava com sandálias franciscanas; cantava com a garotada e na Igreja. Ele dava catequese; só ele. Ele decorava a Igreja para as cerimônias de Batismo, Casamento, Crisma, Primeira Eucaristia.
O Padre, que era grande, forte, branquinho, não possuía carro, e percorria todas as ruas do bairro a pé. Conhecia toda a vizinhança. Cuidava dos que não possuiam casas para visitas; o Padre não era daqui, não. Ele era cidadão do Infinito.
Ele nunca quis ser Padre. Achava que não tinha vocação.
Aprendeu que vocação não se tem; é chamado. É dada por Deus.
E ele foi. Seguiu. A Cruz na frente, o mundo atrás.
Entendeu o chamado do Pai, mesmo sem nunca ter sonhado com isso.
Esse Padre habita a morada dos Santos, hoje. E seu coração permanece em meu coração, sempre. Porque o ministério dele foi a semente para tantas bênçãos nesse lugar.
Tenho saudades dele. Mas a semente precisa cair na terra, e visitar profundo a habitação escura, para que germine, e traga vida.
Dentre os tantos padres com os quais convivi, amei esse Padre.

Oremos por aqueles que ouvem o chamado; oremos por aqueles que não ouvem.
Oremos pelos que querem e pelos que não querem, para que Deus Nosso Senhor alimente os corações.

"São muitos os convidados; quase ninguém tem tempo"*



Padre Zezinho - Vocação.

domingo, 26 de julho de 2009

"Continue a Nadar"


Nomear algo é dar identidade. Eu tenho um nome.
Meu nome é chamado, repetido... querido... desejado... repelido.
Mas, mais que um nome eu tenho um chamado. Esse chamado me confere mais carga pessoal que o substantivo pelo qual me tratam.
Minha vocação é o que fala em mim; portanto, a despeito de toda tentava de ser desviada, eu continuo caminhando.
Diante de uma dor, eu choro, e sigo em frente. Demora um pouco, eu sei... mas sigo.
Diante de um medo qualquer, eu fecho os olhos... e continuo a andar.
Diante de um olhar sem amor, e vou procurando amar...
Devo dizer que dói, e que não tem sido fácil; caminhar, mesmo quando até os que amo não entendem meu modo de andar.
Minha vocação é diferente do que esperam de mim.
Não sou condicionada a algo que é cômodo... minha concepção de bem, de bom é o que o Mestre diz.
Não sou boa ainda; há um longo caminho pela frente. Quero ser boa.
Todo o meu coração ainda precisa da beleza do céu, no entanto, carrega a desfiguração terrena.
Quero continuar. Quero andar e sentir as dores nos pés, sem querer fugir do sofrimento.
Quero que meu coração permaneça firme, mesmo quando toda a vontade dos que me amam é que eu volte.
Não posso.
Não quero.
Eu, há muito tempo, coloquei a mão no arado; "eu sei, não pertenço a esse mundo; tenho fome e sede do Senhor, alimento que vem do lugar que eu sou".*
Meu coração já não atende mais pelo meu nome; não reconhece mais o que a terra deu; reconhece Deus!
Eu sou a ovelha... e uma voz me fez caminhar! É Ele! O Pastor do Salmo, o Pastor da Cruz; o Dono de mim!
E toda vez que me encontro com meu Dono, Ele me faz feliz. Numa felicidade que ultrapassa o que se entende por felicidade; numa felicidade que superficialmente reflete loucura... mas que quando recebe o olhar de quem ama, é o próprio céu!
É o céu!
Ou por sobre as nuvens, ou em alto mar... com pães e peixes, ou sem lugar para reclinar a cabeça... é todo o céu encerrado no Verbo!
Então, é diante do Verbo Encarnado e Eterno que coloco minha caminhada. É nas mãos dele, que deposito meu desejo do eterno, e que tantas vezes me faz romper com o que amo!
É com o Verbo que caminho.... com alegria... com paixões, com medo... Mas é com o Verbo... o Dono de mim, o Deus de minh'alma!!!!
Continuo a caminhar... a despeito das pedras, dos obstáculos... dos predadores!


Com carinho e orações,
Sua irmã em Cristo Jesus, o Verbo Sacrossanto,

Andréia Medrado


* Música: "Quero e Preciso", Dunga - Comunidade Canção Nova

terça-feira, 21 de julho de 2009

Esse coração....


Tenho enfrentado uns probleminhas com meu coração.
Ah, esse coração...
Bate aqui, guardado no peito, e jura que é um ser!
É quase outro ser dentro da caixa do peito, nao é mesmo? E ele se sente no direito de viver a despeito de nossa vontade e condição.
E não é que esse pseudo-ser me pegou ?:)
Depois de tanto tempo... apaixonar-me!
Então, de repente, os sintomas outrora vividos, retornam a seus lugares, como se estes fossem reservados, e quem sabe, comprados e selados.
Sentimentos que no começo incomodam... depois dão coragem...
Sentimentos que mancham... e depois redimem!
São paradoxos do coração.
É isso! Estou apaixonada. Caí, como no Inglês!
Perdida ainda... sem saber como subir... entretanto, vou deixar viver...em mim, esse sentimento tão esquecido, por há tanto tempo ter ido embora.
Vou deixar o coração curtir esse tempo e essa alegria, mesmo que depois, eu precise ressuscitá-lo!
Vai doer. Havia-me esquecido de como era essa dor; vou chorar. Há tanto que as lágrimas que saíam de mim não levavam tal sentimento....
Vou deixar viver.
Ah, esse coração me faz viver assim.... falling in love!!!!

Só uma reflexão sobre meus momentos... Já estou aqui, não é mesmo?


quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pannis Angelicus

"Derramaste teu sangue, mistério supremo!
E segues para mim vivendo no altar".

"Em seu imenso amor se imola no altar
O Verbo, Filho de Deus e Filho de Maria".


Amanhã celebraremos o Mistério do Altar e da Presença do Cristo no Pão!

Nas palavras que iniciaram este texto, Santa Terezinha expressa sua experiência com o Santíssimo Corpo e com o Santíssimo Sangue do Senhor, imolado e todo dia imolado!

Com tantos tapetes espalhados por aí, alguns corações estão desnudos...
Antes estar com meu coração encarpetado, cheio de cortinas e ornado para o Grande Rei!

É só o desejo de estar com o Senhor que me consome! E com Ele poder andar nas ruas da cidade onde tapetes e mantos são deitados sob seus pés!
Estar contigo... estar contigo, ó Pai!

Todo o sentido em ti! Para amanhã! E adorar-te, amar-te! Com minhas forças, com minha alma e de todo o meu coração!!!

Adorar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Um coração adorador não volta atrás!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A alma humana, por Padre Emílio Mancini

Os grandes ídolos do nosso tempo são o dinheiro, a saúde, o prazer, a comodidade: o que serve ao homem.
E se pensamos em Deus, sempre fazemos dele um meio a serviço do homem: pedimos-lhe contas, julgamos seus atos, e queixamos quando não satisfaz os nossos caprichos. Deus em si mesmo parece não nos interessar.
A contemplação está esquecida, a adoração e o louvor é pouco compreendido. O critério da eficácia, o rendimento, a utilidade, funda os juízos de valor. Não se compreende o ato gratuito, desinteressado, do qual nada se pode esperar economicamente.
Até os cristãos, à força de respirar esta atmosfera, estamos impregnados de materialismo, de materialismo prático. Confessamos a Deus com os lábios, mas a nossa vida de cada dia está longe dele.
Absorvem-nos mil preocupações. A nossa vida de cada dia é pagã.
Nela não há oração, nem estudo do dogma, nem tempo para praticar a caridade ou para defender a justiça.
A vida de muitos de nós, não é, por acaso, um absoluto vazio? Não lemos os mesmos livros, assistimos os mesmos espetáculos, emitimos os mesmos juízos sobre a vida e sobre os acontecimentos, sobre a divórcio, a limitação da natalidade, a anulação dos matrimônios, os mesmos juízos que os ateus? Tudo o que é próprio do cristão: consciência, fé religiosa, espírito de sacrifício, apostolado, é ignorado e até denegrido: parece-nos supérfluo.
A maioria leva uma vida puramente material, da qual a morte é o termo final. Quantos batizados choram diante de uma tumba como os que não têm esperança!
A imensa amargura da alma contemporânea, o seu pessimismo, a sua solidão... as neuroses e até a loucura, tão freqüentes no nosso século, não são o fruto de um mundo que perdeu Deus?
Já bem o dizia Santo Agostinho: "Criaste-nos, Senhor, para ti e o nosso coração está inquieto até que não descanse em ti".
Felizmente, a alma humana não pode viver sem Deus.
Busca-o espontaneamente, mesmo em manifestações objetivamente desviadas. Na fome e sede de justiça que devora muitos espíritos, no desejo de grandeza, no espírito de fraternidade universal, está latente o desejo de Deus.
A Igreja Católica desde a sua origem, mais ainda, desde o seu precursor, o Povo prometido, não é senão a afirmação nítida, resoluta, da sua crença em Deus. Por confessá-lo, morreram muitos no Antigo Testamento; por ser fiel à mensagem do seu Pai, morreu Jesus, e depois dele, por confessar um Deus Uno e Trino cujo Filho habitou entre nós, morreram milhões de mártires.
Desde Estevão e os que como archotes iluminavam os jardins de Nero, até os que, nos nossos dias, na Rússia, na Tchecoslováquia, na Iugoslávia; ontem no Japão, na Espanha e no México, deram seu sangue por Ele. A outros não foi pedido este testemunho extremo, mas em sua vida de cada dia afirmam-no valentemente: religiosos que abandonam o mundo para consagrar-se à oração; religiosos que unem a sua vida de operários, na fábrica, a uma profunda vida contemplativa; universitários animados de um sério espírito de oração; para os quais a oração parece algo conatural e junto a eles, sábios, sábios que se prezam da sua qualidade de cristãos. Há grupos seletos de almas escolhidas que buscam a Deus com toda a sua alma e cuja vontade é o supremo anelo das suas vidas.
E quando encontraram-no, a sua vida descansa como numa rocha perene; o seu espírito repousa na paternidade divina, como o menino nos braços da sua mãe (cf. Sl 130).
Quando Deus foi encontrado, o espírito compreende que o único grande que existe é Ele. Diante de Deus, tudo se desvanece: tudo quanto a Deus não interessa, se torna indiferente. As decisões realmente importantes e definitivas são as que jazem nele.
A quem encontrou Deus acontece o que acontece a quem ama pela primeira vez: corre, voa, sente-se transportado; todas as suas dúvidas estão na superfície, no profundo do seu ser reina a paz. Não lhe importa nem muito nem pouco qual seja a sua situação, nem se escuta ou não as suas preces. O único importante é: Deus está presente. Deus é Deus. Diante deste fato, cala seu coração e repousa.
Na alma deste “repatriado” há dor e felicidade ao mesmo tempo. Deus é ao mesmo tempo a sua paz e a sua inquietude.
Nele descansa, mas não pode permanecer um momento imóvel. Tem que descansar andando; tem que amparar-se na inquietude. Cada dia levanta-se Deus diante dele como um chamado, como um dever, como dita próxima não alcançada.
Quem acha Deus sente-se buscado por Deus, como perseguido por Ele, e nele descansa, como num vasto e tíbio mar. Esta busca de Deus só é possível nesta vida, e esta vida só toma sentido nessa mesma busca. Deus aparece sempre e em todas as partes, e em nenhum lado é encontrado.
Ouvimo-lo no ruído das ondas, e, no entanto, cala. Em todas as partes sobe ao nosso encontro e nunca podemos captá-lo; mas um dia cessará a busca e será o definitivo encontro. Quando encontramos Deus, todos os bens deste mundo estão encontrados e possuídos.
O chamado de Deus, que é o fio condutor de uma existência sana e santa, não é outra coisa senão o canto que desde as colinas eternas descende doce e rugiente, melodioso e cortante.
Chegará um dia em que veremos que Deus foi à canção que balançou as nossas vidas.
Senhor, faz-nos dignos de escutar esse chamado e de segui-lo fielmente.


Pe.Emílio Carlos Mancini.
Moderador Geral
Com Alpha e Ômega.




Nas palavras de Padre Emílio, encontro meu coração! E vejo, então, o que falta no que vivo!
Paz e Bem, queridos!!!

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Se puderem, acessem! Gostei muito! Para o meu tempo, ele foi propício!

Mostra que nós, CATÓLICOS, queremos Ver Jesus: caminho, verdade e vida!